...Continuação
-Você canta mal
sabia? - uma voz fraca a fez dar um pulo - o que faz aqui? Pensei que
desapareceria pra sempre da minha vida.
-Eu tive que vir. – ela encarou os pés. - Assim
que melhorar, eu irei sumir da sua vida.
-Eu não quis dizer isso. -ele estava fraco não
havia aberto os olhos ate agora e seu semblante demonstrava dor.
-Eu sei que não. – ela olhou para ele e
controlou a vontade de tocar seu rosto.
Ele abriu devagar os olhos, cor de amêndoas, ela
encarou, eram os mesmos olhos que costumavam lhe acalmar, era o mesmo porto
seguro.
-Você esta diferente. – ele olhou para os
cabelos cortados dela, que antes costumavam chegar à cintura e agora um pouco
depois dos ombros. Os olhos azuis eram os mesmo, azul intenso no centro e
depois vai esverdeando. Agora ela era uma mulher e não a sua garotinha.
Limpando uma lagrima teimosa ela respondeu
-As pessoas mudam
-Está bonita.
O medico entrou nesse momento com um sorriso no
rosto que logo sumiu e virou uma cara de surpresa.
-Sr. Silva vejo que o senhor está melhor. – Ele
olhou para ela e o sorriso voltou para o seu rosto. -Senhorita acabou o horário.
-Estou indo. -ela pega bolsa e olhou para ele.
- Mas ela já vai? – Perguntou Gabriel.
-Não se preocupe Sr.Silva a senhorita sempre volta para vê-lo .
Fernanda sentiu seu rosto corar e desviou o olhar de Gabriel, que sorriu e
pensou “Ela ainda é a mesma”.
O medico moreno a acompanhou até a saída.
-Seu companheiro esta a cada dia melhor
senhorita.
-Ele não é meu companheiro. – ela encarou o
chão. - É apenas um amigo
- Ao julgar suas visitas creio que ele seja um amigo muito especial.
E antes que uma discussão começasse sobre o
assunto ela desapareceu no meio de tantas visitas. O Medico ficou procurando
aquele cabelo loiro, sem sucesso deu um sorriso bobo e voltou para o trabalho.
No seu quarto de hotel ela chorou como a
primeira vez que terminaram. Fazia uma semana que estava na capital. Como
combinado com os pais dele não iria ao sábado e domingo visitá-lo. Aproveitou
para trabalhar.
Na segunda lá estava ela, assim que entrou no
quarto encontrou as bochechas rosa dele, seu rosto estava bem melhor.
-Pensei que não voltaria mais - Ele disse triste
enquanto o medico moreno o examinava.
- Até eu pensei que havia errado sobre você. –
disse o médico sorrindo. -Sua companheira não desiste de você Sr. Silva
-Amiga - ele corrigiu e foi como levar uma
facada no coração.
-Uma amiga bem dedicada devo admitir. – O médico
disse enquanto cuidava de Gabriel. – Até o invejo por ter uma amiga assim.
-Somos só amigos. – disse ela vermelha.
-Então não haverá problemas se eu convidá-la
para um café?- Disse o médico sorrindo.
-De modo algum ficarei feliz em lhe fazer companhia
– respondeu tímida.
O medico sorriu e ela percebeu como ele era
bonito. O único que desgostou disso tudo foi Gabriel,
- Minha folga é ao fim do horário de visitas venho
te chamar como de costume
Então ele deixou a sala com um sorriso que ela
desconhecia, mas que mexeu com tudo lá dentro.
-O que foi isso? – Gabriel perguntou confuso
-Não sei - Ela olhou para o chão e sorriu.
O olhar de que estava com vergonha, ele lembrava
bem daqueles olhos azuis olhando para o chão quando foi lhe dar o primeiro
beijo.
-Quanto tempo vai ficar?
-Ate o fim dessa semana, estou em reunião. - ela
respondeu rapidamente, mas pensou sem querer “até você está melhor.”
-Sempre trabalhando.
Ele olhou para os olhos azuis dela levemente
puxados e grandes, uma mecha loira caia sobre esses olhos. Ela estava linda.
Nunca a vira tão linda o tempo havia lhe feito mulher. Mas ainda sentia falta
daquela menina boba e ele sabia quem era o culpado por ter feito essa menina
desaparecer ou será que só se escondeu?
-Obrigado.
Foi tudo que ele conseguiu dizer. Pensava em sua
noiva e em como havia deixado Fernanda por gostar de Clarice. Mas nunca sentiu
o que ela causava nele com Clarice.
Ela sorriu, um sorriso simples.
-De nada.
Foi tudo que respondeu, ele pegou no sono devido
os medicamentos e ela deixou as lagrimas caírem.
-Senhorita? - o medico moreno apareceu. – Está chorando?
-Não, foi um cisco. – mentiu.
-Então deixe que eu a ajude. – em um segundo ele estava na sua frente
levantando sua cabeça para olhar nos olhos dele, com cuidado e usando a ponta
dos dedos, ele limpou as lagrimas que brotavam dos olhos dela. Ela o encarou,
ele realmente era bonito e havia um brilho naqueles olhos. Ela não conseguiu
segurar o sorriso teimoso que brotou em seus lábios. – Então vamos?
Ela sorriu para ele e pegou a bolsa. Foram até um
café próximo do hospital a pedido dele que não queria tomar aquele café com
gosto de remédio do hospital.
Fizeram o pedido e conversaram sobre coisas aleatórias
e agradáveis.
-A senhorita gosta dele né? – Ele perguntou sem
jeito.
-Somo amigos - Ela desviou o olhar.
-Garanto que uma amiga não faz nem metade do que
fez. Você passou dias com ele, nem mesmo a noiva dele fez isso.
Ela sente as bochechas pegando fogo e quando
levanta a cabeça encontra os olhos negros dele brilhando como nunca, um brilho
diferente.
-Sei que isso é fora de ética, mas você é linda.
Ela fica sem graça e sorri, o medico faz o mesmo
e olha com admiração para ela, a luz do sol que entrava no café deixava os
olhos dela apaixonantes. Então ela percebe como ele é lindo, não só por fora,
mas por dento.
-Conte-me mais sobre você! – Diz ele puxando assunto
-Sou do interior, estou aqui a trabalho porem
fiquei sabendo do que ocorreu com ele e vim visitá-lo e você Senhor?
-Senhor? Até parece. Sou Daniel. Bem eu sou do
interior, mas desde que me formei na federal de medicina estou aqui. – ele sorri.
A conversa fluía muito fácil, era agradável e confortável,
ele ficava encantado por ela. E o mesmo acontecia com ela.
-Acho q tenho que retornar para o hospital. O
que vai fazer esta noite?
-Acho que nada.
-Eu sei que isso é bem ousado da minha parte,
mas.. – ele travou e olhou sem jeito para o café até subir os olhos e encontrar
os dela. - Bem eu gostei da sua companhia... podemos jantar?
CONTINUA....

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