“ Primeiro vejo seu sorriso, seus cabelos loiros com cheiro de baunilha, sua mão pegando a minha, a neve ao fundo.”
A cena muda e meu coração aperta:
“ Você está serio me olhando nos olhos, está confuso, está próximo, morde seu lábio e põe a mão na minha bochecha.”
Agora sinto o soluço escapar, mas antes vem outra cena:
“Estamos numa festa você está bêbado e grita comigo, talvez eu também esteja um pouco, as pessoas dançam e não parecem se importa conosco, eu saio andando deixo você gritar meu nome, estou na varanda vejo um casal e penso ‘Por que?’ estou voltando, procuro o seu rosto no meio de milhares, pessoas se beijam, pessoas se agarram, derrubo alguma coisa, a musica é um zunido no meu ouvido, vou para a cozinha vejo uma garota sentada na mesa e um garoto beijando ela com paixão, espere um pouco… ele usa sua camisa… estou perdendo o ar… você vira e chamar meu nome, seus olhos estão assustados, mas a garota não deixa você olhar para mim e puxa seu rosto, saio as presas, estou andando rápido, agora estou correndo, consigo sentir meu pulmão implorar por oxigênio “
Alguém está batendo na porta do meu quarto e grita meu nome… não quero abrir… Ele bate mais forte... não quero escutar. Ligo o radio e “ you and me” está tocando, consigo misturar a letra e meu choro, a pessoa tenta mais uma vez, mas quero me embriagar com a musica, com a dor que está no meu peito. Não estou cantando… estou gritando… quero que meu coração escute.
Desbloqueio o celular e lá está nossa foto, você sorrindo enquanto beijo sua bochecha, mais uma mentira feliz. Entro nos álbuns e vejo você dormir, você sorrir, você comer… aperto excluir e deixo aparecer “tem certeza de que deseja fazer isso?” e desejo essa pergunta na vida, para que eu consiga deletar o dia que te vi pela primeira vez.
Tiro minhas roupas e entro no banheiro, minhas lagrimas se misturam com o vapor da água quente do chuveiro, ela queima minha pele, mas a dor queima meu coração e sobe até minha garganta, é como o primeiro gole de vodka queima, mas depois não sente mais. Sinto a crise de soluços vir, deixo sair, meu nariz também arde. Coloco meu moletom.
Deito na minha cama e olho para o teto e consigo lembrar: “Eu nos seus braços, seu perfume, sua mão percorrendo meu braço, eu rindo e você diz ‘ Eu te amo’ eu olho nos seus olhos e ganho asas”
Levanto da cama em um pulo, não posso mais ficar aqui. Pego meus tênis e saio correndo, estou indo para o único lugar que não tem você, a praia, você nunca gostou dali. A lua está brilhante no céu e ilumina o mar, a areia está fria, tiro meu sapato para sentir. O cheiro do mar me embriaga, consigo deixar escorrer todas as lágrimas que ainda me restam. Seu rosto e o dela estão na minha cabeça.
Um cheiro de colônia masculina mistura-se com o cheiro da maré, dois pés estão ao meu lado deixo meu cabelo tampar meu rosto, em silencio sinto-o sentar ao meu lado.
-Noite difícil – uma voz grave
Pego meu tênis e faço um movimento de que vou me levantar, então sinto uma mão segurar meu pulso
-Fique… - sinto o coração bater forte – se quiser… mas é que acabei de chegar.
Sei que deveria sair, sei que deveria correr, mas tudo que faço é sentar e sentir o cheiro da colônia masculina que invade o ar. O vento gelado está batendo no meu rosto. O silencio do desconhecido é reconfortante. Escuto ele suspirar, escuto o coração dele, batidas fortes, nem devagar e nem aceleradas, apenas fortes.
- Deixe-me adivinha… um garoto… não um babaca – diz ele com tom sarcástico – Beijou outra… melhor… uma vadia
Fico em silencio, não preciso conversar com ele, não preciso conversar com ninguém só preciso chorar… o que estou fazendo aqui? Sozinha?
- Pode falar boneca. – ele deita na areia e começa encarar o céu. – Já percebeu como as estrelas se perdem?
- Elas morrem. – Digo com uma Voz fraca e melancólica.
-Como o amor. – Ele completa e consigo sentir sorrir
“Como as promessas feitas, como os ‘eu te amo’ ditos, como os planos feitos numa tarde de domingo ensolarada, como as memórias em um parque de diversões com um ursinho ganho em uma barraquinha de argolas, como as musicas intituladas como ‘nossas’, como o sonho de uma menina em ser princesa, como sua memória em mim”

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