-Aceito. – Disse por fim, confusa com tudo aquilo. Ela olhava para ele e podia jurar que via os olhos brilharem com a resposta, não pode segurar, e um riso saiu de sua boca. Ele quando viu sentiu o coração pular.
-Poderíamos ir a um restaurante diferente. Você gosta de qual tipo de comida? – Ele estava tão feliz que tinha como percebe em seu tom de voz.
- Como todo tipo de comida. – Ela respondeu sorrindo e olhou para ele. Ele era lindo, o sorriso lhe caia tão bem.
- Assim que eu gosto. Posso te buscar?
- Empresta-me seu celular? - Ele pega o celular desconfiado e entrega nas mãos dela. Ela digita seu número e devolve o aparelho sorrindo. – Pronto, agora você tem meu número, lhe mandarei uma mensagem com o endereço do hotel em que estou.
- Nossa olha a hora! Tenho que voltar para o hospital.
Ele levanta e a ajuda levantar, assim como em filmes, ela que pensou que isso só existia em livros sorri. Pega sua bolsa e vão em direção ao caixa. Enquanto ela procurava sua carteira ele pagou a conta.
- Ei! Eu ia pagar!
- Eu sei, mas eu não costumo deixar uma moça pagar a conta. Até anoite. – Ele diz e sai pela porta deixando ela sozinha com um sorriso no rosto e toda boba. Ela olha a sua volta e vê a moça do caixa sorrindo de volta.
Pega seu carro e vai para o hotel. Ela tinha um encontro. Nem se lembrava da última vez que tivera um, seria com Gabriel? Ou talvez com um carinha que saiu algumas vezes na faculdade.
Entrou no seu quarto, colocou uma musica, aquelas animadas. Começou os preparativos, a hidratação nos cabelos, o banho de banheira, os óleos de banho. Enquanto fazia as unhas escutou o celular vibrar.
“Linda? Posso te chamar de linda? Desculpa, esquece. O endereço?”
Ela ri com a mensagem sem graça, quem diria que ela conseguiria deixar um homem sem graça, principalmente um medico. E que médico, não parava de pensar no sorriso dele. Se a alguns dias chorava por Gabriel, essa noite ela iria sorrir por Daniel.
Ela digitou o endereço e foi terminar de se arrumar.
Estava com os cabelos presos, quando terminou a maquiagem via uma mulher linda no espelho, o vestido preto estava perfeito em seu corpo. Colocou o salto e um par de brincos brilhantes. Caprichou nos olhos, seus olhos azuis estavam mais brilhantes do que de costume e quando solto o cabelo as cortinas loiras deram um ar de “mulherão”. A recepção ligou avisando que um homem lhe esperava, ela passou o perfume e desceu.
Quando Daniel a viu com aquele vestido perdeu o ar, se desconfiava estar apaixonado após aquela imagem teve a certeza. O cabelo loiro dela cai tão natural, e os olhos estavam tão azuis, mas nada tirava a beleza do sorriso.
Ela encontrou os olhos encantados de Daniel e sorriu. O Medico estava maravilhoso, sua camisa marcava seu corpo e ela pode ver que ele era forte, fora o sorriso... Ah o sorriso!
- Você está linda! – Disse quase gaguejando.
Ela sorriu sem graça e olhou nos olhos dele. Eles brilhavam, aquele brilho, o brilho, então enquanto perdida em pensamentos olhando para aqueles olhos, ele aproximou e ofereceu o braço.
O restaurante era perfeito, simples e romântico. Uma mesa na varanda, uma verdadeira cena de filme, a iluminação baixa. Então começaram a conversa, conversas leves e fáceis, algumas piadas e logo um conhecia o outro. O sorriso não ia embora do rosto dela, muito menos do dele.Quando a sobremesa chegou eles já estavam próximos, já haviam bebido algumas taças de vinho, então a lua entrou em cena, começou a iluminar tudo, a mão dele pegou a mão dela com cuidado, primeiro os dedos passaram com delicadeza, sentindo a pele macia. Então encarou os olhos... Ah os olhos, a grande porta para o coração que no momento batia tão alto que ambos temeram serem escutados. O silencio veio, passaram os segundos assim olhando para os olhos, com o coração batendo mais forte que tudo. Então ele se aproximou, podia sentir pela respiração dela o quanto ela o queria e ele a ela. Os lábios estavam a alguns sentidos, mas antes um único olhar que perguntava “Pode?”.
Os lábios se tocaram, ansiosos e teve inicio a um beijo, um beijo longo, com desejo. Um beijo que Fernanda nem lembrava mais, os lábios dele tocavam o dela com intensidade, e ela correspondia. O frio na barriga havia ido embora e agora só ficava outra sensação.
Quando os lábios se afastaram ambos puxaram o ar. Ele sorriu e ela corou, não pode conter o riso também.
- Acho que está tarde. – disse tomando um pouco mais de vinho e ainda corada.
-Por mim passaria a noite aqui te olhando e sem querer ser ousado te beijando. – Ele riu e segurou o rosto dela com delicadeza. - Vou pedir a conta.
Ele pagou a conta. Ela pegou a bolça, estava processando o beijo, sua boca latejava querendo mais. Esperaram por um taxi abraçados. O cheiro dele a embebedava, ela conseguia sentir os músculos do peito dele.
Ele sentia o perfume dela, os cabelos soltavam aquele perfume que faz qualquer homem parar de pensar, a verdade era que em sua mente, ele pensava no beijo.
Na frente do hotel outro beijo. Ela teve que conter a vontade de pedir para que ele entre, então apenas aproveitou cada segundo. Então ele se foi e ela entrou, seu corpo ainda tinha o perfume dela. E ela sorria, como nunca.
....
- Ela não veio ontem Doutor. – disse Gabriel
- Desculpa Senhor silva, ela quem?
-Fernanda, ela não veio ontem. – Gabriel olha para o aparelho que mostrava seus batimentos.
-Ela teve uma reunião ontem. – Respondeu Daniel.
- E como o senhor sabe? – Gabriel sentiu o coração aperta, e um pouco de raiva do médico.
-Ela me contou. – respondeu sem graça, sabia que não podia se envolver com pacientes, mas ela não era sua paciente. – Tenho boas noticias, o senhor está para receber alta, acredito que entre hoje ou amanhã.
- Isso é bom, não aquento mais esse hospital.
-Como você reclama. – Fernanda está na porta do quarto com um sorriso, Daniel a olha e perde o ar. Responde o sorriso corando. Então Gabriel olha a cena e seu coração dói, a mesma dor que sentia toda vez que a perdia.
-Nossa por que toda essa felicidade? – Diz controlando sua voz com ciúmes.
- Ué o médico não acabou de dizer que você vai sair daqui?
- Assim você não precisa me ver nunca mais na sua vida? – Ele sabia que isso a irritaria.
-Gabriel! – Diz sabendo que era verdade e temendo que seu romance com Daniel seja interrompido.
-Eu irei me retirar. – diz Daniel, percebendo o clima. – Nanda, depois podemos conversa?
-Claro! – diz com um sorriso – Então Daniel deixa o quarto.
- Só falei a verdade, depois que isso tudo acabar, você vai cumprir sua palavra de sair da minha vida. – Disse cheio de raiva
- É isso que você quer?
-Fernanda! – Era isso mesmo que ele queria? Claro que não.
-Diga Gabriel! É isso? Você quer que eu te esqueça e nunca mais volte?
-Você quem sabe. – Mas a forma como ela olha para aquele médico.
-Eu odeio quando você faz isso.
- E eu odeio esse seu sorriso para ele.
- O que? Ele quem? Do que você está falando?
- Não tente disfarça Fernanda. O Medico, acha que não vi como você sorri para ele?
- E o que tem meu sorriso? Eu não posso mais sorrir?
- Não é isso ...
- Gabriel, você está noivo, cuide da sua mulher
Então ela pegou a bolsa e saiu.
Daniel viu um fantasma passando tão rápido que a única coisa que conseguiu fazer foi chamar-la – Fernanda?
Foi para o hotel, começou a jogar as roupas na mala já estava na hora de voltar para a casa, chega dessa historia, chega dessa cidade, as lagrimas escorriam e o pior era que ela nem sabia o porquê do choro.
Entrou no banheiro e deixou a água do chuveiro cair no seu corpo e as lágrimas lavarem suas bochechas. Socou a parede e quebrou a saboneteira cortando sua mão.
A dor do corte a fez esquecer da dor do coração. As lagrimas escorriam como o sangue. Colocou a primeira roupa que encontrou e foi para o Hospital. Entrou na recepção e pediu para a recepcionista atendimento o mais rápido possível.
-Desculpa, mas a senhora não tem convenio com esse hospital. – disse a moça antipática e irritada por Fernanda a ter atrapalhado na leitura de uma revista de moda.
-Eu posso pagar, só preciso de uns pontos. – Então uma pontada de dor. Fez uma careta. – E algum remédio.
-Lamento senhora.
Fernanda estava indo embora irritada e praguejando mais e mais, agora era oficial ela realmente odiava cada pedaço daquela cidade, daquele hospital e daquela cidade.
-Fernanda! – Reconheceria aquela voz em qualquer lugar então se virou e assim que Daniel viu sua mão seu rosto ficou pálido e assustado. – O que aconteceu? – Então viu o que estava acontecendo e se preparou para fugir, mas Daniel foi mais rápido. – Não dessa vez você não vai fugir. Deixa-me cuidar de você Fernanda? – Daniel estava com um olhar que Fernanda jamais vira em toda sua vida.
Daniel resolveu tudo com a antipática e levou Fernanda até seu consultório. Cuidou de cada detalhe do seu corte e Fez questão dele mesmo fazer o curativo. Deu algumas aspirinas para a dor.
- Você vai ficar meio sonolenta com essa medicação. Meu turno acaba daqui 20 minutos se você conseguir esperar posso te levar para o hotel.
-Daniel? – ela encarava o pé, pois não tinha coragem para encarar o médico bonitão.
- Sim? – respondeu enquanto limpava tudo.
- Não precisa. Obrigada. – Então se levantou e foi embora.
Fernanda terminou de acerta as coisas no hotel. Recebeu um pedido de desculpa do gerente pela saboneteira. E ela aceitou morrendo de vergonha, pois sabia que a culpa não foi do piso escorregadio, que usou como desculpa, e sim da sua mão que esmurrou a pobre saboneteira. E assim voltou para a sua cidade. Para a sua vida.





