terça-feira, 28 de junho de 2016

Borboletas

Já passou um ano desde o dia em que o conheci, ainda consigo me recordar daquele dia, os cabelos loiros dele estavam bem cortado, a barba estava feita e o seu perfume era sentido por todo o restaurante, não sou boa com isso, mas era algo doce. Ele usava uma camisa social com jeans, era a primeira vez que conheceria esse lado dele. Eu estava nervosa e não parava de pensar no sinal que deveria fazer para ele percebe que eu o queria. Meu vestido vermelho, era a cor favorita dele, estava amassado na ponta, minha culpa admito, não parava de enrolar a ponta e soltar. Lembro de pedir para minha irmã prender meu cabelo.
Lembro daquele olhar percorrendo meu corpo de baixo para cima então pairando nos meus lábios, o sorriso que escapou naquele momento, mordendo de leve o lábio superior puxando para o canto esquerdo fazendo meu rosto queimar.
Era um sábado anoite, mas o restaurante estava vazio. Ele puxou a cadeira e fez toda a cortesia que uma garota precisava. Diferente do que estava acostumada quando íamos no Mc’donalds e ele praticamente me empurrava para pegar o lugar perto dos molhos. Aquela noite conversamos sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada. Ao passar do relógio mais eu me ansiava, mas ao mesmo tempo existia um frio em minha barriga, seria medo ou os tacos que eu havia comido? Não importava, uma coisa eu sabia... existia algo no meu estômago, e eu esperava que fossem borboletas.
Ele chamou o garçom, não me deixou pagar a contar, era engraçado ver alguém que sempre roubou meu lanche fazendo isso, mas agora era diferente... Levantamos e segurei sua mão, minha mão estava quente. Andamos até o caminho da minha casa, lembro de as estrelas brilharem mais naquela noite. 
- É sério você deveria provar é a melhor coisa! -Disse ele animado sobre o que servia no restaurante do pai.
- Quem sabe um dia eu vá provar.
Faltavam alguns metros para chegar na minha casa, mas já estávamos na minha rua e meu coração já dava pontadas. Seria agora ou nunca.
-Sara? - Ele disse com sua voz rouca e meu coração estremeceu.
Paramos e olhei para cima os olhos dele brilhavam, sabíamos o que deveria acontecer ali. Então seus olhos desceram até meus lábios e subiram de novo buscando uma confirmação, sua mão foi para minha cintura e estávamos tão perto que sentia seu hálito, respiravam forte e ao mesmo tempo, minha mão foi para sua nuca e consegui confirma com olhos, sua boca chegou próximo a minha e depois disso lembro de voar. Eram borboletas e não tacos. Quando o beijo acabou ele me prendeu no seu peito e beijou minha testa, respirei fundo seu perfume, estava tudo como eu havia imaginado o calor do corpo dele esquentava o meu.  Repetimos mais algumas vezes até ele me deixar no portão. O beijo de despedida foi ainda melhor.
Era oficial eu estava apaixonada por ele, mas assim como um beijo conseguia me fazer voar uma mensagem conseguia me fazer entrar em queda livre. Estávamos juntos quando saio a decisão do juiz, ele iria morar com o pai na capital.  
"Eu queria poder ficar minha querida Sara”
Foi como levar um tiro, meu coração estava quebrado meu melhor amigo estava partindo e eu estava completamente apaixonada por ele. Chorei. Como desejei ser Tacos e não borboletas.
Um ano se passo e aqui estou eu junto com minhas borboletas.

-A senhora já sabe o que quer? -Disse o garçom distraído. 
Tirei meus óculos de sol e sorri.
- prometi a um amigo que um dia viria provar isso aqui. 
Então foi como voltar no tempo aquele olhos percorriam novamente meu corpo e estava dobrando a ponta do meu vestido. Ele sorriu e eu senti novamente seu perfume. Acho que estou escutando uma música como em uma comedia romântica dessas que a menina encontra seu amor novamente.