quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Se o coração parar. - Parte 02

...Continuação
-Você canta mal sabia? - uma voz fraca a fez dar um pulo - o que faz aqui? Pensei que desapareceria pra sempre da minha vida.
-Eu tive que vir. – ela encarou os pés. - Assim que melhorar, eu irei sumir da sua vida.
-Eu não quis dizer isso. -ele estava fraco não havia aberto os olhos ate agora e seu semblante demonstrava dor.
-Eu sei que não. – ela olhou para ele e controlou a vontade de tocar seu rosto. 
Ele abriu devagar os olhos, cor de amêndoas, ela encarou, eram os mesmos olhos que costumavam lhe acalmar, era o mesmo porto seguro.
-Você esta diferente. – ele olhou para os cabelos cortados dela, que antes costumavam chegar à cintura e agora um pouco depois dos ombros. Os olhos azuis eram os mesmo, azul intenso no centro e depois vai esverdeando. Agora ela era uma mulher e não a sua garotinha.
Limpando uma lagrima teimosa ela respondeu
-As pessoas mudam
-Está bonita.
O medico entrou nesse momento com um sorriso no rosto que logo sumiu e virou uma cara de surpresa.
-Sr. Silva vejo que o senhor está melhor. – Ele olhou para ela e o sorriso voltou para o seu rosto.  -Senhorita acabou o horário.
-Estou indo. -ela pega bolsa e olhou para ele.
- Mas ela já vai? – Perguntou Gabriel.
-Não se preocupe Sr.Silva a senhorita sempre volta para vê-lo .
Fernanda sentiu seu rosto corar e desviou o olhar de Gabriel, que sorriu e pensou “Ela ainda é a mesma”.
O medico moreno a acompanhou até a saída.

-Seu companheiro esta a cada dia melhor senhorita.
-Ele não é meu companheiro. – ela encarou o chão. - É apenas um amigo
- Ao julgar suas visitas creio que ele seja um amigo muito especial.

E antes que uma discussão começasse sobre o assunto ela desapareceu no meio de tantas visitas. O Medico ficou procurando aquele cabelo loiro, sem sucesso deu um sorriso bobo e voltou para o trabalho.
No seu quarto de hotel ela chorou como a primeira vez que terminaram. Fazia uma semana que estava na capital. Como combinado com os pais dele não iria ao sábado e domingo visitá-lo. Aproveitou para trabalhar.
Na segunda lá estava ela, assim que entrou no quarto encontrou as bochechas rosa dele, seu rosto estava bem melhor.
-Pensei que não voltaria mais - Ele disse triste enquanto o medico moreno o examinava.
- Até eu pensei que havia errado sobre você. – disse o médico sorrindo. -Sua companheira não desiste de você Sr. Silva
-Amiga - ele corrigiu e foi como levar uma facada no coração.
-Uma amiga bem dedicada devo admitir. – O médico disse enquanto cuidava de Gabriel. – Até o invejo por ter uma amiga assim.
-Somos só amigos. – disse ela vermelha.
-Então não haverá problemas se eu convidá-la para um café?- Disse o médico sorrindo.
-De modo algum ficarei feliz em lhe fazer companhia – respondeu tímida.
O medico sorriu e ela percebeu como ele era bonito. O único que desgostou disso tudo foi Gabriel,
- Minha folga é ao fim do horário de visitas venho te chamar como de costume 
Então ele deixou a sala com um sorriso que ela desconhecia, mas que mexeu com tudo lá dentro.
-O que foi isso? – Gabriel perguntou confuso
-Não sei - Ela olhou para o chão e sorriu.
O olhar de que estava com vergonha, ele lembrava bem daqueles olhos azuis olhando para o chão quando foi lhe dar o primeiro beijo.
-Quanto tempo vai ficar?
-Ate o fim dessa semana, estou em reunião. - ela respondeu rapidamente, mas pensou sem querer “até você está melhor.”
-Sempre trabalhando.
Ele olhou para os olhos azuis dela levemente puxados e grandes, uma mecha loira caia sobre esses olhos. Ela estava linda. Nunca a vira tão linda o tempo havia lhe feito mulher. Mas ainda sentia falta daquela menina boba e ele sabia quem era o culpado por ter feito essa menina desaparecer ou será que só se escondeu?
-Obrigado.
Foi tudo que ele conseguiu dizer. Pensava em sua noiva e em como havia deixado Fernanda por gostar de Clarice. Mas nunca sentiu o que ela causava nele com Clarice.
Ela sorriu, um sorriso simples. 
-De nada.
Foi tudo que respondeu, ele pegou no sono devido os medicamentos e ela deixou as lagrimas caírem.
-Senhorita? - o medico moreno apareceu. – Está chorando?
-Não, foi um cisco. – mentiu.
-Então deixe que eu a ajude. – em um segundo ele estava na sua frente levantando sua cabeça para olhar nos olhos dele, com cuidado e usando a ponta dos dedos, ele limpou as lagrimas que brotavam dos olhos dela. Ela o encarou, ele realmente era bonito e havia um brilho naqueles olhos. Ela não conseguiu segurar o sorriso teimoso que brotou em seus lábios. – Então vamos?

Ela sorriu para ele e pegou a bolsa. Foram até um café próximo do hospital a pedido dele que não queria tomar aquele café com gosto de remédio do hospital.
Fizeram o pedido e conversaram sobre coisas aleatórias e agradáveis.
-A senhorita gosta dele né? – Ele perguntou sem jeito.
-Somo amigos - Ela desviou o olhar.
-Garanto que uma amiga não faz nem metade do que fez. Você passou dias com ele, nem mesmo a noiva dele fez isso.
Ela sente as bochechas pegando fogo e quando levanta a cabeça encontra os olhos negros dele brilhando como nunca, um brilho diferente.
-Sei que isso é fora de ética, mas você é linda.
Ela fica sem graça e sorri, o medico faz o mesmo e olha com admiração para ela, a luz do sol que entrava no café deixava os olhos dela apaixonantes. Então ela percebe como ele é lindo, não só por fora, mas por dento.
-Conte-me mais sobre você! – Diz ele puxando assunto
-Sou do interior, estou aqui a trabalho porem fiquei sabendo do que ocorreu com ele e vim visitá-lo e você Senhor?
-Senhor? Até parece. Sou Daniel. Bem eu sou do interior, mas desde que me formei na federal de medicina estou aqui. – ele sorri.
A conversa fluía muito fácil, era agradável e confortável, ele ficava encantado por ela. E o mesmo acontecia com ela.
-Acho q tenho que retornar para o hospital. O que vai fazer esta noite?
-Acho que nada.
-Eu sei que isso é bem ousado da minha parte, mas.. – ele travou e olhou sem jeito para o café até subir os olhos e encontrar os dela. - Bem eu gostei da sua companhia... podemos jantar? 

 CONTINUA....

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Se o coração parar - Parte 01

Era uma tarde comum, ela estava em seu computador quando viu a notícia: "Homem é baleado na capital após assalto, encontra-se em estado grave". Seu coração apertou, ela reconhecia aquele homem, quando ela o conheceu ele era apenas um garoto e ela sua garotinha.
Ela sabia que o tempo havia o separados, não só ele como as circunstâncias, lembrava das palavras frias dele aquela noite "eu conheci uma garota , amo ela, é ela que eu quero" ela chorou por noites. E agora olha para ela em estado de choque vendo uma noticia que se refere ao homem que fora seu primeiro amor, que a distancia e o tempo separou afinal ela era uma garota do interior e ele um menino da cidade, de tantos vai e volta, cansaram de brincar e ela pensou ter excluído todo sentimento que nutria por ele de uma vez da sua vida. Mas agora com o computador ligado, sentiu seu coração bater, doer e sufocar. Lagrimas rolaram por sua bochecha fora de controle. Ela sabia que devia ver ele, era o que ela mais queria.
Naquela noite pegou o celular e ligou para Paulo, o melhor amigo dele que ela ainda tinha o contato. O telefone tocou, tocou e finalmente uma voz de sono atendeu.
-Alô?
-Paulo!
-Quem fala?
-Como ele está? 
Paulo reconheceria aquela voz de chora em todo lugar, fora a mesma voz que ligou pra ele de noite perguntando desta mesma pessoa.
-Fernanda.
-Preciso ver ele 
-Não posso ajudar.
-Passe o contato da família dele.
Paulo sabia que não adiantaria negar, ela era teimosa. Ele passou o contato e pediu para que ela ligasse de manha.
Na manha seguinte quase sem dormir praticamente madrugando ela pegou o telefone e ligou. Um homem com a voz cansada atendeu, o mesmo homem que atendeu algumas vezes o celular dele e ela não teve coragem de falar, o pai dele, mas hoje era diferente ela precisava saber dele
-Pronto?
-É da família do Gabriel?
- O pai dele falando, quem fala?
-Prazer sou Fernanda, uma conhecida dele.
-Fernanda? Fernanda... Fernanda... Desculpa, mas desconheço esse nome.
-Sou uma conhecida de muito tempo atrás.
-Em que podemos ajudar então?
-Eu gostaria de ver como ele está eu li a reportagem.
-Só um momento
Um silencio pairou sobre o telefone, era possível escutar uma discussão distante. Ate que a voz retornou
-Você ainda esta ai?
-Sim senhor
- Bem conversei com minha mulher, nunca podemos ir ao horário de visita no almoço se você quiser...
-Claro senhor, muito obrigada
-Obrigado você por preocupar-se com ele.
Logo o pai dele passou todas as informações que ela precisava. Ela arrumou a mala, sabia que teria que passar algumas semanas na capital aproveitaria para cuidar de negócios. Pegou seu carro e foi para a estrada.
Foi para um hotel antes de ir ao hospital, deixou as coisas caírem no chão ainda estava confusa com tudo que estava acontecendo então seguiu para o hospital.
Seguiu as informações que o pai dele lhe passara por telefone, quando chegou ao quarto seu coração parou.
Ele estava deitado, pálido. Suas bochechas rosadas não tinham cor. Ela passou os dedos por seus cabelos, loiro escuro, e sentiu as lagrimas rolarem.
Lembrou-se das poucas vezes que passou seus dedos por aqueles cabelos.
Apertou sua mão e sussurrou.
"Eu não desisto de você "
Ficou assim ate a hora da visita acabar, um medico de pele negra pediu para ela retirar-se.
Foi assim durante toda a semana, em uma das visita uma enfermeira disse.
-Ele já está melhor. -Ela olhou esperançosa - acho que sua companhia o lhe faz bem.
O medico moreno entrou na sala e com um sorriso que mostrava seus dentes brancos, olhou para ela.

-senhorita acabou o horário de hoje.
- A sim, claro
Ela pegou a bolsa e olhou para ele mais uma vez, suas grandes bochechas estavam começando a ter cor novamente.. 
-Ate amanha – disse o medico
-Como sabe que vou voltar?
-você tem cara de ser difícil de desistir.
-Ate doutor – ela sorriu
No horário seguinte ela sentia algo bom em seu coração, entrou no quarto e sentou no seu lugar. Olhando para ele começou a cantar.
-Você canta mal sabia? - uma voz fraca a fez dar um pulo - o que faz aqui? Pensei que desapareceria para sempre da minha vida.



continua...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Era apenas mais um da rede social

Ele mandou um "oi" era apenas mais uma menina bonita da rede social. Ela respondeu "oie", era apenas um carinha que ela havia add e nunca se lembrou dele.
A conversa fluiu, ela não era tão oca como as outras garotas. Ele não era tão estúpido como os outros rapazes.
Diferenças de idade só no documento, tinham as mesmas ideias e partilhavam o mesmo sonho. Ele queria ser bombeiro e ajudar a família, ela queria ser médica e ajudar a todos.
Os dias passavam, as informações cresciam junto à vontade de se verem. Ele ria da forma divertida em que ela via a vida, e ela ria do jeito dele. 
As conversas por telefone passaram a ter um valor especial para eles. Eles ficavam amigos, ele queria a conhecer, mas tinha Larissa. Ela queria conhecer aquele carinha, seria mais um rapaz na sua lista, a final desacreditava no amor desde que Gabriel fora seu único amor e desapareceu... Não queria sentir tudo aquilo novamente, por isso fez a promessa de nunca mais amar ninguém.
Marcaram um sorvete, entre amigos, nada poderia dar errado... Apenas tudo.
Eles se encontraram. Ela estava nervosa quando o viu com sua moto em frente a sorveteria, seu óculos aviador o deixava ainda mais atraente, seu coração pulou, ela sabia o que aquilo significaria. Ele a olhou, ela estava básica, natural e linda. Sabia que não seria só um sorvete.
Um abraço tímido e sem jeito, era bem mais fácil conversar por celular. Ela ficava com as bochechas rosadas ele sabia que ela estava tímida. Ele tinha um sorriso que a chamava, ela não podia se apaixonar, mas já era tarde demais. 
Decidiram dar uma volta pelo parque, ela aceitou e sorriu. A conversa fluía e junto a ela risadas e brincadeiras. Pararam em frente a um lago e o silêncio tomou conta ambos sabiam o que isso significaria. Ela olhou para ele com os cabelos voando ao vento e ele olhou para ela tão linda, tão delicada, seus lábios começaram lentamente um beijo calmo. Logo os corpos já estavam mais próximos e o que era um beijo simples ganhou intensidade. Quando acabou ele olhou para ela e beijou sua testa Prendeu-a em seus braços. Na cabeça dela ela processava tudo, já era sabia que estaria presa a ele.
Na hora de ir embora um beijo. Em casa as borboletas da barriga dela voavam sem parar. Em casa ele estava confuso sabia que ela era linda, mas tinha Larissa. 
As mensagem se intensificavam junto com os encontros. Fazia um mês que eles saiam, ela apaixonada sentindo algo que jamais sentiu, nem mesmo por Gabriel. Ele querendo cada vez mais ela, mas temendo o tempo passar, faltava duas semanas para Larissa voltar. Ele sabia que não iria conseguir esconder ela de Larissa nem Larissa dela. 
Já que ele não tomava iniciativa ela resolveu contar a verdade que estava apaixonada por ele pressionada pelas amigas. A mensagem foi enviada, ele estava na rodoviária esperando por Larissa quando o celular tocou. Não deu tempo de ler, bem no momento Larissa estava parada na sua frente.
As semanas passavam e ela sem noticias dele, mensagens não eram respondidas, a dor apertava em seu peito. Uma angustia aparecia sempre, ele já era odiado pelas amigas, mas não por ela.
Baladas não tinham mais aquela “coisa”, ia para dançar e curtir as amigas, porque garotos passavam longe da sua cabeça. Até mesmo os lindos olhos azuis de Gustavo, o cara que fazia estágio com ela.
Era seu aniversario e ela só esperava uma única ligação. O pai fez  um bolo, as amigas vieram animar a casa e o celular ficou mudo. Gustavo apareceu com flores.
Ele não aguentava ficar sem ela, olhava para Larissa, era bonita, mas não era ela. Fazia meses, será que ela ainda pensava nele? Será que ela ainda o queria?
Ele precisava por um fim em tudo isso, terminar com Larissa e ir atrás dela.
Ele não ligou, ela chorou. Era a mesma rotina, olhar o celular na esperança de uma mensagem. Era hora de acorda e desistir. Mas tudo que queria eram chocolates e chorar até secar, até a dor no coração ir embora.
Gustavo aparecia às vezes, para um cinema, um sorvete, para dar um sorriso. Ela ainda lembrava-se dele, mas estava decida deixar Gustavo entrar no seu coração.
Ela estava no parque, no lugar do beijo, lembrou-se de tudo, do toque, do abraço e do beijo. Ela o viu, abraçado com uma garota loira. Ele reconheceu aqueles cabelos longos, e viu os olhos brilharem devido às lágrimas, Larissa buscou o olhar dele, uma garota que chorava.
Ela pegou a bolsa e saiu chorando, era por isso que não a respondia mais, ela chorava, seu coração doía, essa era a verdade.
A cena dos olhos delas, do rosto triste, não sai da cabeça dele. Pegou o antigo celular, e foi surpreendido pelas inúmeras mensagens, mas leu apenas uma, a do dia que Larissa chegou.
 “Eu não sei como dizer isso, não sou boa com sentimentos, mas eu pensei muito, se você quiser entrar no meu coração eu deixo, porque mesmo sem você querer você já está nele. Te adoro, beijos, me liga?”
Ele pegou a moto e foi para o apartamento dela e do pai. Quando estava chegando viu, ela sorrindo em um vestido, com os braços entrelaçados no de um cara bonito.
Lágrimas escorriam de seus olhos, e pela primeira vez sentiu seu coração apertar. Era isso, ele havia a perdido.  Quando voltou terminou com Larissa,

Ela saia cada vez mais com Gustavo, mas não sentia nem metade da metade do que sentia por ele. Uma noite ele mandou “oi” na rede social e ela respondeu “oie”. Não sabia o que ele queria, ele a queria.