terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Se o coração parar - Parte 01

Era uma tarde comum, ela estava em seu computador quando viu a notícia: "Homem é baleado na capital após assalto, encontra-se em estado grave". Seu coração apertou, ela reconhecia aquele homem, quando ela o conheceu ele era apenas um garoto e ela sua garotinha.
Ela sabia que o tempo havia o separados, não só ele como as circunstâncias, lembrava das palavras frias dele aquela noite "eu conheci uma garota , amo ela, é ela que eu quero" ela chorou por noites. E agora olha para ela em estado de choque vendo uma noticia que se refere ao homem que fora seu primeiro amor, que a distancia e o tempo separou afinal ela era uma garota do interior e ele um menino da cidade, de tantos vai e volta, cansaram de brincar e ela pensou ter excluído todo sentimento que nutria por ele de uma vez da sua vida. Mas agora com o computador ligado, sentiu seu coração bater, doer e sufocar. Lagrimas rolaram por sua bochecha fora de controle. Ela sabia que devia ver ele, era o que ela mais queria.
Naquela noite pegou o celular e ligou para Paulo, o melhor amigo dele que ela ainda tinha o contato. O telefone tocou, tocou e finalmente uma voz de sono atendeu.
-Alô?
-Paulo!
-Quem fala?
-Como ele está? 
Paulo reconheceria aquela voz de chora em todo lugar, fora a mesma voz que ligou pra ele de noite perguntando desta mesma pessoa.
-Fernanda.
-Preciso ver ele 
-Não posso ajudar.
-Passe o contato da família dele.
Paulo sabia que não adiantaria negar, ela era teimosa. Ele passou o contato e pediu para que ela ligasse de manha.
Na manha seguinte quase sem dormir praticamente madrugando ela pegou o telefone e ligou. Um homem com a voz cansada atendeu, o mesmo homem que atendeu algumas vezes o celular dele e ela não teve coragem de falar, o pai dele, mas hoje era diferente ela precisava saber dele
-Pronto?
-É da família do Gabriel?
- O pai dele falando, quem fala?
-Prazer sou Fernanda, uma conhecida dele.
-Fernanda? Fernanda... Fernanda... Desculpa, mas desconheço esse nome.
-Sou uma conhecida de muito tempo atrás.
-Em que podemos ajudar então?
-Eu gostaria de ver como ele está eu li a reportagem.
-Só um momento
Um silencio pairou sobre o telefone, era possível escutar uma discussão distante. Ate que a voz retornou
-Você ainda esta ai?
-Sim senhor
- Bem conversei com minha mulher, nunca podemos ir ao horário de visita no almoço se você quiser...
-Claro senhor, muito obrigada
-Obrigado você por preocupar-se com ele.
Logo o pai dele passou todas as informações que ela precisava. Ela arrumou a mala, sabia que teria que passar algumas semanas na capital aproveitaria para cuidar de negócios. Pegou seu carro e foi para a estrada.
Foi para um hotel antes de ir ao hospital, deixou as coisas caírem no chão ainda estava confusa com tudo que estava acontecendo então seguiu para o hospital.
Seguiu as informações que o pai dele lhe passara por telefone, quando chegou ao quarto seu coração parou.
Ele estava deitado, pálido. Suas bochechas rosadas não tinham cor. Ela passou os dedos por seus cabelos, loiro escuro, e sentiu as lagrimas rolarem.
Lembrou-se das poucas vezes que passou seus dedos por aqueles cabelos.
Apertou sua mão e sussurrou.
"Eu não desisto de você "
Ficou assim ate a hora da visita acabar, um medico de pele negra pediu para ela retirar-se.
Foi assim durante toda a semana, em uma das visita uma enfermeira disse.
-Ele já está melhor. -Ela olhou esperançosa - acho que sua companhia o lhe faz bem.
O medico moreno entrou na sala e com um sorriso que mostrava seus dentes brancos, olhou para ela.

-senhorita acabou o horário de hoje.
- A sim, claro
Ela pegou a bolsa e olhou para ele mais uma vez, suas grandes bochechas estavam começando a ter cor novamente.. 
-Ate amanha – disse o medico
-Como sabe que vou voltar?
-você tem cara de ser difícil de desistir.
-Ate doutor – ela sorriu
No horário seguinte ela sentia algo bom em seu coração, entrou no quarto e sentou no seu lugar. Olhando para ele começou a cantar.
-Você canta mal sabia? - uma voz fraca a fez dar um pulo - o que faz aqui? Pensei que desapareceria para sempre da minha vida.



continua...

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