Acordou na manhã seguinte com dor de cabeça e a mão dolorida. Seu celular tinha 15 chamadas perdidas e uma mensagem. Ela sabia que uma hora ou outra teria que parar de viver o conto de fadas, e enfrentar a realidade com Daniel. Abriu a mensagem:“Oi sumiu, vamos sair amanhã?”
Respirou fundo e escreveu uma resposta vaga, mas o suficiente para um bom entendedor.
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Daniel estava de plantão no hospital. Estava com a família de Gabriel.
- Ele se recuperou bem, graças aos céus ele não terá muitos traumas, apenas algumas dores que com algumas sessões de fisioterapia serão curadas.
- Obriga por ter cuidado dele. – Respondeu Clarice , noiva de Gabriel.
- Fiz o meu trabalho, e um favor para uma nova amiga.
Gabriel sentiu a raiva ferve, pois sabia de quem ele estava falando e desaprovava qualquer tipo de relação do médico com ela. Nada contra o médico o problema era que ele não conseguia ver Fernanda com mais ninguém. Seu coração se apertava só de pensar nela mexendo no cabelo de outro, fazendo doces ou recebendo cócegas. A saudade o sufocava. Por que ela tinha que ter vindo?
- Me desculpem, tenho que responder essa mensagem. – disse Daniel
Gabriel ergueu os olhos na tela do celular do médico e leu a seguinte mensagem.
“ Não, desculpa? Voltei para minha cidade”
Então era isso, ela tinha colocado um fim nessa palhaçada com o medico, Gabriel sentiu o ar voltar e um alivio com a mensagem. Ela ainda poderia ser dele.
Daniel sentiu a dor da saudade, havia se apegado aquela “caipirinha”, mas parece que o destino gostava de brincar com ele. Só que o destino esquecera que ele era mais forte. Respondeu a mensagem e volto para o trabalho.
“ Mas eu nem pude dizer adeus :/”
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“Eu sei... Desculpa?”
E foi isso que ela conseguiu enviar, ainda com lagrimas nos olhos.
Ele não respondeu.
Toda noite a cabeça dela ia para a noite do restaurante e um sorriso bobo de saudade aparecia no seu rosto, então sua mente começava a lembrar da discussão com Gabriel e esse sorriso perdia para o choro.
Era uma manhã normal de domingo, ela rolava de um lado para o outro na cama, pegou o celular para ver as mensagens, só haviam recados das amigas e de sua mãe perguntando se ela iria almoçar lá.
Alguém tocou a campainha do apartamento, devia ser Carla, sua amiga. Ela levantou brigando afinal ainda eram 8hrs da manhã. Mas quando abriu a porta quase caiu. O cabelo loiro dele estava desarrumado, seu rosto estava saudável. Não parecia o mesmo Gabriel do hospital.
- Posso entrar? – disse ele olhando a de cima de cima a baixo. Como ela ficava linda com esses pijamas curtinhos, e que corpo era aquele? Quando ela ganhou aquela coxa?
Percebendo o olhar de Gabriel, ela cobriu o corpo com as mãos, sem graça.
-Você não tem nada para fazer aqui.
-Vim lhe fazer uma visita, mas já que é impossível não é mesmo Fernanda?
- Quem faz uma visita as 8hrs da manhã?
- Alguém que saiu de muito longe, porque não tira você da cabeça. – ele socou a porta. Então olhou para aqueles olhos grandes de cachorrinho que caiu da mudança. – Agora muito menos. – então sorriu, daquela forma que ela não resiste.
Fernanda não sabia o que sentia, o coração estava confuso e batia, apertava e doía. A mente nem processava mais.
-Vai Nanda, deixa.
-Entra vai.
Gabriel entrou e se espantou com tamanho do apartamento da SUA menina, eram dois andares e cada cômodo era enorme.
-Uau, parece que a vida na roça está compensando.
-Veio me visitar o colocar olho gordo na minha casa?
Ela estava encostada na parede, aquele short curto valorizava uma perna de academia, ela que sempre foi magrela havia ganhado corpo, muito corpo. Não tinha mais aquela cara de 13 anos, havia tornado-se menina a muito tempo e ele a perdeu.
-Fala, o que veio fazer aqui?
A verdade era que nem ele sabia o que estava fazendo ali, apenas entrou no carro e saiu dirigindo e quando deu conta estava na entrada da cidade, foi fácil achar o apartamento dela, ela havia feito fama com a empresa.
-O mesmo que você foi fazer no hospital.
Ele atirou e acertou em cheio, ela estava sem palavras, afinal o que ela foi fazer naquele hospital? Naquela cidade?
-Que eu saiba não sofri nenhum tipo de acidente.
Ele se aproximou e a respiração dela falhou, retornando no mesmo ritmo que a dele. Lenta e intensa. O perfume dela o embriagava. Ela conseguia ver o movimento do peito dele subir e descer devido a proximidade. Ele abriu a boca para falar algo, mas desistiu, ficou encarando aqueles lábios carnudos que por inúmeras vezes perdeu aulas beijando.
-Tem razão. – ele sussurrou. – Eu não sei o que estou fazendo aqui. – Ele segurou na mão dela e levou até o peito.
O peito dela se apertou, sentiu o coração querendo sair pela boca. Ela não poderia, ele estava noivo. O passado veio com tudo na sua cabeça. O primeiro encontro, o primeiro beijo, a primeira briga, a primeira decepção, o choro, a despedida, o pedido pra volta, o retorno, o segundo término. Cada pontada, cada cutucão de ferida, cada lagrima.
- Você deveria embora. – Falou com voz de choro, se soltando. – Eu abro a porta.